O sol forte que vem da rua faz parecer ainda mais escuro dentro desse bar em que os únicos sinais de eletrecidade são a geladeira com as cervejas e a tevê que passa um filme de ação com o Tom Cruise. Três velhos, um em cada mesa de madeira, meio que uniformemente vestidos, assistem partes do blockbuster sem muita atenção, entremeando explosões com comentários em um português ranzinza e quase indiscernível.
Esse bar de pouco mais de 10 metros quadrados é na verdade um dos lugares mais badalados dessa freguesia. As notícias locais, todos as acompanham pregadas aqui numa estante que também serve para exibir diferentes tipos de vinho. O Lagartixa veio parar nessa pacata vila de Portugal chamada Azinhaga na esteira do último livro de José Saramago, As Pequenas Memórias. Por menos
cosmopolita que esse lugar possa parecer, foram nessas ruas que aprendeu a falar português o único prêmio Nobel de Literatura da língua portuguesa.
A pouco mais de duas quadras desse bar, depois de um parque, fica a biblioteca José Saramago, pequena, simples, financiada pela prefeitura. O dono da horta que se avizinha, José Ribeiro, fala de Saramago como fala do José da padaria – ele os visita, conhece desde criança. Não tem opinião sobre o quão pessimista é a literatura do conterrâneo, contudo.
Nesse último livro, Saramago conta saudoso peripécias que aconteceram enquanto morava aqui. Sentar na praça e só ouvir o barulho do Almonda - apesar de esse rio hoje ser um esgoto a céu aberto - dá uma pista do motivo por quê Saramago salvou Azinhaga de sua pontaria certeira na hora de criticar a sociedade através de parábolas: a pobre freguesia agrícola parou no tempo, esqueceu de acompanhar a modernização do
resto do mundo. Eu não agüentaria ficar aqui mais de uma semana, mas, aos 85 anos de idade, Saramago “volta a Azinhaga para acabar de nascer”, através desse poético e ficcional livro de verdades que soa mais como uma despedida.
Esse bar de pouco mais de 10 metros quadrados é na verdade um dos lugares mais badalados dessa freguesia. As notícias locais, todos as acompanham pregadas aqui numa estante que também serve para exibir diferentes tipos de vinho. O Lagartixa veio parar nessa pacata vila de Portugal chamada Azinhaga na esteira do último livro de José Saramago, As Pequenas Memórias. Por menos
A pouco mais de duas quadras desse bar, depois de um parque, fica a biblioteca José Saramago, pequena, simples, financiada pela prefeitura. O dono da horta que se avizinha, José Ribeiro, fala de Saramago como fala do José da padaria – ele os visita, conhece desde criança. Não tem opinião sobre o quão pessimista é a literatura do conterrâneo, contudo.
Nesse último livro, Saramago conta saudoso peripécias que aconteceram enquanto morava aqui. Sentar na praça e só ouvir o barulho do Almonda - apesar de esse rio hoje ser um esgoto a céu aberto - dá uma pista do motivo por quê Saramago salvou Azinhaga de sua pontaria certeira na hora de criticar a sociedade através de parábolas: a pobre freguesia agrícola parou no tempo, esqueceu de acompanhar a modernização do
2 comentários:
do laga para o mundo, hun?!
mala, tá onde? volta quando?
avisa, don´t forget!
beijo.
certa vez vi os pés do saramago. debaixo da mesa, cruzados. assim como as mãos.
não esqueci os pés porque me parecia surpreendente a existência deles, ali. naquele momento exato.
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