"Seja leve,
ácido,
insolente
e melancólico."
"Não existe nada mais lindo que os momentos felizes dos homens infelizes. O que pode servir de definição para a arte".
Escrever agora é comunicar, e não guardar.
Il n'a pas d'hors text. Alors, bem e com responsabilidade.
quinta-feira, 25 de outubro de 2007
Ficção, realidade e almoço de urso

O que distingue um filme de ficção de um documentário é só o modo como ele é produzido. Há o mesmo tanto de verdade e ficção nos dois gêneros. Quem dirige o filme é uma pessoa que sujeita as cenas à sua subjetividade; adaptar cenas a uma narrativa já é inventar, não importa quão real seja a história ou os personagens.
Acontece que o gênero do filme direciona o pensamento. Quando o sujeito pára para assistir a um documentário, espera que todas aquelas cenas sejam reais, ou que pelo menos o modo de produção daquelas imagens seja factual, sem encenação.
Essa introdução foi para falar do Herzog. As imagens dos filmes dele sempre foram fantásticas. Como exemplo, Nosferatu, remake do clássico homônimo do Murnau, ícone do expressionismo alemão. A cena das portas se abrindo no castelo do vampiro e revelando um terrível e apático Klaus Kinski em posição mamãe-sou-vampiro é inesquecível. Acontece que nem a dupla Herzog-Kinski consegue competir com Hollywood, que não se basta a uma cena de vampiro com uma grande atuação e direção, mas usa dos efeitos especiais multimilionários para encher a cena de morcegos, sons e o caralho a quatro.
Esse sobreuso dos efeitos especiais acabam anestesiando nossa percepção estética cinematográfica, e quando voltamos ao grande Nosferatu do Herzog aquela cena genial já não parece de tanta relevância. O negócio é que acabamos vendo tudo com a naturalidade de quem pensa que no cinema nada é impossível.
Quando os irmãos Lumière filmaram um trem, os espectadores fugiram da tela achando que o trem os ia atropelar. Queria ter sido um desses espectadores de cinema, totalmente sensível à imagem do novo, à imagem inusitada impossível de acontecer na realidade.
Aí que entra a sacada do Herzog. Quando viu que não podia competir com toda essa parafernalha tecnológica, começou a fazer documentários. A imagem do documentário é a única que ainda nos desperta a curiosidade gerada pelos irmãos Lumière, porque ainda acreditamos nela como se fosse verdade. Um documentário é o único lugar onde um homem comido por um urso ainda nos impressiona na era do bombardeio midiático, como no ótimo O Homem Urso. A história poderia ter sido contada como ficção, mas o que é um homem comido por urso depois de tudo que já se viu Hollywood fazer? Ao contar a história como um documentário, ele ainda se safa de ter que achar um final genial ou esconder quaisquer sutilezas da história.
Sacada de gênio.
é isso aí, ó:
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cinema,
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terça-feira, 16 de outubro de 2007
ai, minha aura
eu que sempre defendi a arte pós-moderna me vi decepcionado quando me contaram hoje que há mais 27 pensadores do rodin pensando pelo mundo. jacaré gosta? nem eu.
já me peguei decepcionado antes quando, no tate modern, vi a fonte do duchamp. em baixo, uma plaquinha, dizendo que a fonte original foi roubada, e aquela era uma das 19 réplicas feitas pelo próprio duchamp. tava escrito lá assim, pelo próprio duchamp. até onde eu saiba, ele não fabricava louça. ou seja, mais 19 mictórios foram indevidamente desapropriados.
isso tudo me parece a mesma relação do teatro com o cinema. e eu falo do ponto de cinéfilo inveterado, e até por isso. é muito mais fácil uma peça (não uso espetáculo, desculpe) ser emocionante do que um filme. o teatro é efêmero, cada apresentação é única, além do lugar de onde se senta na platéia e a atenção que se dá a cada segundo mudar a perspectiva da obra. o cinema é massivo, replicável.
não vejo isso como um defeito. o diretor de cinema precisa pensar num jeito mais eficaz de fazer contato com a platéia por causa disso. em época de efeitos especiais em que nada é impossível, pior ainda. mas isso é assunto pra outro post.
de resto, deixo o magrão poser pensar pela gente.
domingo, 14 de outubro de 2007
Os novos novos baianos e a menina que dança
Genial o encontro da Marisa Monte com a sogra. A direção, que acho que é do Walter Salles, também é impressionante - repara na luz da varanda e nos movimentos de câmera que são os mesmos do primeiro clipe de A menina Dança, em que a baby cantava por trás de um varal.
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